Olá pessoal, a correria está grande, mas passando aqui para deixar uma aula em forma de texto. Gabriel Azevedo Vereador de Belo Horizonte. Texto partilhado na integra!

“Há uma lição que a vida parlamentar ensina: sua vontade nunca vai prevalecer. Tudo é articulado e negociado. E pensar o contrário faz com que muito tempo seja perdido… Tive uma formação no Colégio Militar. A lógica da disciplina e da hierarquia pode se aplicar na batalha, mas não funciona no parlamento. Aliás, o contrário de guerra não é paz. É política. A política é a arte de resolver as diferenças que existem na sociedade de um jeito não violento. E esse jogo não é feito por anjos. Nenhum de nós é perfeito. Temos defeitos e por isso criamos mecanismos complexos para que uma cidade não seja conduzida por uma pessoa, mas pela coletividade. Entender esse jogo é compreender a política real, as vezes diferente da teoria: a realpolitik. Dou um exemplo: uma das coisas mais complexas de ser articulada por aqui foi a mudança no Regimento Interno que impediu projetos inconstitucionais de serem votados em plenário. Precisava de uma quantidade de votos que envolvia a participação de um vereador que estava pra ser cassado. Quando fui pedir o voto a ele, ouvi uma proposta: eu poderia contar com o voto dele se eu não discursasse no dia em que ele foi cassado. Ao fazer isso, não estaria abrindo mão de princípios, dado que não mudaria meu voto pela cassação, mas deixaria de usar meu direito a fala diante dos fatos. Bem, a ideia seria que eu tivesse tudo. Só que a maturidade política lhe ensina a negociar e pensar no que é melhor para a cidade e não no que é melhor para você. Ser um parlamentar contribuiu muito para um amadurecimento. Sigo tentando me aprimorar, mas sou muito grato a convivência com mais quarentas parlamentares que, com suas particularidades, vão me mostrando a natureza humana. E sem abrir mão do caráter, da coerência e da coragem, vou me aperfeiçoando para atuar pelo município entendendo que não basta ter ideias. É preciso agir politicamente pra implementa-las. Aqui eu não sou professor. Aqui eu sou aprendiz. E vale a pena observar e entender o que precisa ser entendido. Não apenas por mim. Sobretudo por aqueles que me confiam um voto acreditando que não se trata de um bobo sem capacidade de concretizar os planos que possui. Atrás de morro vem morro…”